Eduarda Rodrigues, 20 anos, Arcos
de Valdevez (Viana do Castelo)
Estudo Línguas e Relações
Internacionais na Faculdade de Letras do Porto (para ser diferente de todos os
outros, não é?). Se tudo correr bem, fico licenciada em Junho e a partir daí é
um mistério. Gostava de fazer mestrado na área das Relações Internacionais ou
Política Internacional, e talvez trabalhar numa organização internacional, tipo
ONU ou União Europeia.
Estou a fazer Erasmus em
Maastricht, Holanda. Confesso que a primeira escolha foi Leeds, na
Grã-Bretanha, mas depois acabei por me decidir por Maastricht e não me
arrependo mesmo nada.
Porquê Maastricht? O sistema de ensino aqui é muito diferente do português e
tem aulas “práticas” o que eu achei fascinante, já para não falar de que é das
universidades com menos de 50 anos melhor posicionadas nos rankings
internacionais.
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| via wikipedia |
A primeira coisa a saber sobre
Maastricht é que deve o nome ao rio Maas, que acaba por dividir a cidade.
Portanto quando me pedem para explicar onde moro a resposta é “do outro lado do
rio”, o que se traduz por viver a 5-7 minutos de bicicleta à faculdade (sim,
aqui todas as distâncias se medem “em bicicleta”). A minha carga horária é
bastante leve, comparando com Portugal. O sistema de Problem Based Learning
usado em Maastricht implica imensas horas de estudo individual, pelo que nem
passo assim tanto tempo na faculdade.
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| via maastricht university |
Ah, viagens! Confesso que é uma
das melhores partes de Erasmus e que gostava de ter mais tempo para elas (volto
a sublinhar que eu aqui trabalho mesmo muito). Mesmo assim Maastricht está no
sítio ideal para viajar. A 15 minutos da Bélgica e a (nem isso!) 1 hora da
Alemanha, Maastricht já me abriu algumas portas. Desde que cá estou já fui a
Liège, Bruxelas, Bruges, Köln (Colónia), Aachen e Amesterdão. No entanto ainda
gostava de ir a Antuérpia, Utrecht e talvez a Luxemburgo.
A melhor parte de Erasmus é
aprender. Soa cliché eu sei, mas a verdade é que é mesmo isso. É uma lufada de
ar fresco porque asseguro-vos que nunca na minha vida interagi com tanta gente
como aqui. Não me sinto como sendo “estrangeira”. Já conheci pessoas de todos
os cantos do mundo e de todas as nacionalidades. É óptimo ouvir as histórias deles. Há tanta
gente que já fez tanta coisa…! É adquirir uma noção completamente diferente da
realidade. Para alguém como eu, que venho de um sítio pequeno, é liberdade. É
poderes ver o mundo lá fora pelos olhos de quem já viveu imensidões. E apesar
de ficar maravilhada com tudo acho que ganhei um grande respeito por aquilo que
é o meu país, a minha cultura.
A pior parte (e novamente sendo
cliché) é a saudade. Sinto falta de muita coisa, incluindo de coisas que nunca
pensei que fosse sentir falta. Para além da falta da família e dos amigos (e da
comida, vamos ser honestos), sinto falta do ambiente. Sinto falta de andar na
rua sozinha e de estar rodeada pela minha língua, por pessoas que me percebem e
que eu consigo perceber. Sinto saudades do nosso sol, dos nossos rios e do mar.
Sinto saudades de ver montanhas. Sinto saudades daquilo que é Portugal.
Dicas para quem pensa fazer Erasmus:





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