segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Migos em Erasmus - Eduarda Rodrigues

Eduarda Rodrigues, 20 anos, Arcos de Valdevez (Viana do Castelo)

Estudo Línguas e Relações Internacionais na Faculdade de Letras do Porto (para ser diferente de todos os outros, não é?). Se tudo correr bem, fico licenciada em Junho e a partir daí é um mistério. Gostava de fazer mestrado na área das Relações Internacionais ou Política Internacional, e talvez trabalhar numa organização internacional, tipo ONU ou União Europeia.


Estou a fazer Erasmus em Maastricht, Holanda. Confesso que a primeira escolha foi Leeds, na Grã-Bretanha, mas depois acabei por me decidir por Maastricht e não me arrependo mesmo nada. 
Porquê Maastricht? O sistema de ensino aqui é muito diferente do português e tem aulas “práticas” o que eu achei fascinante, já para não falar de que é das universidades com menos de 50 anos melhor posicionadas nos rankings internacionais.

via wikipedia
A primeira coisa a saber sobre Maastricht é que deve o nome ao rio Maas, que acaba por dividir a cidade. Portanto quando me pedem para explicar onde moro a resposta é “do outro lado do rio”, o que se traduz por viver a 5-7 minutos de bicicleta à faculdade (sim, aqui todas as distâncias se medem “em bicicleta”). A minha carga horária é bastante leve, comparando com Portugal. O sistema de Problem Based Learning usado em Maastricht implica imensas horas de estudo individual, pelo que nem passo assim tanto tempo na faculdade. 

via maastricht university

Ah, viagens! Confesso que é uma das melhores partes de Erasmus e que gostava de ter mais tempo para elas (volto a sublinhar que eu aqui trabalho mesmo muito). Mesmo assim Maastricht está no sítio ideal para viajar. A 15 minutos da Bélgica e a (nem isso!) 1 hora da Alemanha, Maastricht já me abriu algumas portas. Desde que cá estou já fui a Liège, Bruxelas, Bruges, Köln (Colónia), Aachen e Amesterdão. No entanto ainda gostava de ir a Antuérpia, Utrecht e talvez a Luxemburgo.


A melhor parte de Erasmus é aprender. Soa cliché eu sei, mas a verdade é que é mesmo isso. É uma lufada de ar fresco porque asseguro-vos que nunca na minha vida interagi com tanta gente como aqui. Não me sinto como sendo “estrangeira”. Já conheci pessoas de todos os cantos do mundo e de todas as nacionalidades.  É óptimo ouvir as histórias deles. Há tanta gente que já fez tanta coisa…! É adquirir uma noção completamente diferente da realidade. Para alguém como eu, que venho de um sítio pequeno, é liberdade. É poderes ver o mundo lá fora pelos olhos de quem já viveu imensidões. E apesar de ficar maravilhada com tudo acho que ganhei um grande respeito por aquilo que é o meu país, a minha cultura.

A pior parte (e novamente sendo cliché) é a saudade. Sinto falta de muita coisa, incluindo de coisas que nunca pensei que fosse sentir falta. Para além da falta da família e dos amigos (e da comida, vamos ser honestos), sinto falta do ambiente. Sinto falta de andar na rua sozinha e de estar rodeada pela minha língua, por pessoas que me percebem e que eu consigo perceber. Sinto saudades do nosso sol, dos nossos rios e do mar. Sinto saudades de ver montanhas. Sinto saudades daquilo que é Portugal.


Dicas para quem pensa fazer Erasmus: 
Por favor façam. No início a quantidade de papelada que vão ter que preencher vai desmotivar. Quando estiverem quase a ir aquelas semanas em que estão em casa ou com os amigos vão ser as mais dolorosas. Não vão querer ir a lado nenhum. Vão querer ficar e nunca pôr os pés naquele avião. Façam-no. É uma oportunidade como não há outra. As experiências, as culturas, as viagens, as pessoas… tudo que vão passar antes de ir vai valer a pena na hora de voltar. E quando essa hora chegar? Acreditem em mim, voltar dói tanto como ir.


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